...Passado alguns minutos as dores começaram a abrandar... só do lado direito! O lado esquerdo eu sentia tudo!...
A anestesista saiu e a seguir chegou o meu marido, fiquei aliviada por não estar mais ali sozinha.
Ele foi o meu porto seguro, posso dizer que se não tivesse ele ao meu lado, eu me desesperaria. A cada contração que vinha ele segurava a minha mão, me lembrava a respiração que aprendemos nas aulas de PPP e me dizia para ter calma que faltava pouco...
A dilatação estava a demorar, a última vez que lembro de olhar as horas, passava pouco das 10 da manhã, estava eu com 4cm de dilatação. A partir daí eu não tive noção do tempo, as dores eram terríveis. A anestesista veio me ver várias vezes, mexeu no catéter, me deu reforços mas nada resultava, continuava a sentir o lado esquerdo.
Devia passar pouco das 11 da manhã quando comecei a sentir vontade de puxar, lembrei-me que não podia, fiz a tal respiração tipo cão com sede e pedi ao marido para chamar a enfermeira. Ela veio logo, fez-me o toque, tinha 7cm, mas ainda não podia puxar, quase desesperei, pensei novamente que não aguentaria. Tive raiva por pensar que era forte, por achar que estava preparada para o parto...
Passado algum tempo, as dores aumentaram, já quase não tinha intervalo entre as contrações, aliás, em nenhum momento eu tive contrações regulares , a vontade de puxar agora era tanta que quase não conseguia controlar, meu marido chamou novamente a enfermeira... já tinha 9 cm de dilatação e 95% do colo extinto. A enfermeira começou a preparar as roupinhas, a maca e depois veio para minha beira, disse-me que podia puxar quando sentisse vontade, a ver se a menina descia e se as coisas avançavam.
Perdi a conta de quantas vezes fiz força e as coisas não evoluiam... estava a puxar bem, mas quando parava. a Mel voltava a subir e tínhamos que começar tudo de novo. A enfermeira pediu ajuda ao meu marido, mostrou-lhe como empurrar a minha barriga cada vez que eu fizesse força., mas também não funcionou... A enfermeira então chamou a médica para ajudar. Veio uma equipa toda. Eram duas médicas, três enfermeiras a minha volta e mais o marido a dar-me força.
Já não me recordo se eram duas ou três pessoas a me empurrar a barriga, a médica a tentar puxar a bebé e eu a fazer toda força que conseguia. Todas a me dizer para fazer força, para não desistir que estava quase mas a Mel voltava a subir.
Comecei a ficar com medo de ela sufocar ou de me levarem para cesareana e pensei que tinha que conseguir fazer mais força, afinal, se muitas mulheres conseguem eu também tinha de conseguir. Parei um pouco, tentei recuperar o fòlego e retomei as tentativas. Puxei uma vez, faltou-me o ar. A médica resolveu recorrer a ventosa, apanhei ar, segurei firme na cama e puxei novamente, colocaram-me a ventosa, meu marido dizia “puxa meu amor, força, não desiste agora, puxa” , senti me cortarem, continuei a puxar, senti novamente me cortarem, as dores eram terriveis, já estava sem folego mas não parei até ouvir a Mel a “choramingar”, olhei e lá estava ela, toda branquinha com o vernix, era, 13:05 da tarde. Lembro-me que a primeira coisa que pensei foi que ela afinal era pequenina, de certeza que não tinha os 4kg como previsto na eco. Pegaram ela pelos pézinhos e aí sim ela chorou pra valer!
Eu senti aquele amor a primeira vista que falam. Chorei muito, fiquei mesmo emocionada. Achei minha menina incrivelmente bonita, tinha um narizinho lindo, uns olhinhos puxadinhos, enfim, era linda linda! Levaram ela para limpar e vestir e pedi ao meu marido para ficar do ladinho dela e para tirar fotos daquele momento.
A minha dor ainda não tinha passado por completo, a Dra veio me tirar a placenta que ainda foi um bocadinho doloroso e depois a corzer-me tiveram que dar uma anestesia local pois estava a sentir tudo. Só depois dessa anestesia é que finalmente deixei de ter dor.
Quando a minha princesa estava vestidinha, colocaram ela no meu colo, eu disse a ela “olá, então eras tu que estavas na minha barriguinha, és tão linda!” e mais uma vez não consegui conter as lágrimas... ela era tão perfeita, tão quietinha e atenta. Quando a Dra terminou de me cozer colocaram ela na mama e deixaram-nos os três no quarto sozinhos para curtir aquele momento. Fiquei no recobro cerca de 2 horas e depois o papá foi para casa e levaram-nos para o quarto.
Meu parto não foi nada fácil. Foi totalmente diferente do que eu imaginava. Foi doloroso, cansativo e traumatizante, mas quero lembrar que nenhum parto é igual, por isso, vocês que estão grávidas, não tenham medo, tentem ir o mais calma possível pois isso ajuda imenso. Tentem se informar sobre as tecnicas de respiração para alívio da dor pois elas ajudam mesmo! Pensem que cada minuto que passa é um passo mais perto de ver o vosso tesourinho.
Peço desculpa por ter me alongado tanto (mas não consegui resumir mais que isso, são muitos detalhes que não podem ser esquecidos) e por ter demorado a postar (a Mel tem tido cólicas e tem exigido muita atenção da minha parte).
Um beijinho a todas
Adorei o relato pormenorizado. Foste muito corajosa.
ResponderExcluirBjinhos
oh querida.... ainda nao tinha percebido que o teu parto tinha sido tão doloroso.....
ResponderExcluirLamento que tenha sido assim... mas o importante mesmo foi ter um final feliz e agora teres a Mel que compensa cada minuto de dor.
Obrigada por partilhares connosco a tua experiencia.
Beijinhos e as melhoras das cólicas da Mel
Um lindo relato Jey. Apesar do sofrimento é como tu dizes cada parto é um parto, mesmo com as dores gostava muito de poder passar pela experiencia de um parto normal. A Melzinha é LINDA e perfeitinha! Um beijinho grande para as duas.
ResponderExcluirA minha vez é já amanhã, que medo... Obrigada por partilhares o relato do teu parto, foi um momento difícil mas também muito recompensador porque no final ganhaste a tua Mel nos braços :) Bjinhos
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